Em um país onde a desigualdade se alastra, pessoas se inspiram em desfilar por avenidas com os corpos nus ou cobertos por fantasias, muitas vezes, mais vulgares do que um corpo nu. Em um país onde a saúde, cada vez mais, encontra-se precária, pessoas investem milhões em escolas de samba. Em um país onde pessoas passam fome, o governo investe em purpurina e lantejoulas. Tudo poderia ser investimento em arte, e poderia ser bem aceito por todos, se Carnaval fosse arte. Mulheres nuas, não são arte, não da maneira que se espoem. Onde o corpo deveria abrir espaço para o brilho, o brilho acaba abrindo espaço para o corpo. No dia em que carnaval realmente for cultura, eu irei passar a repudiar a cultura.